20 de janeiro de 2009

Creck

Tô planejando ir viajar quando acabar a faculdade. Aquela história do "eu mereço", sabe? Então, eu tava na fila da balsa pra ir embora de Ilha Bela no Natal (mimimi) e veio um nativo (eu acho) vender cofrinhos feitos de barro. Comprei um pro Burns e um pra mim. Cheguei em casa e alimentei o porquinho com minhas economias que ficavam na latinha de Pringles.
Ontem eu peguei o Pigs pra colocar 10 mangos (qualquer quantia ta valendo) e sentei com ele na minha cama, aí o Burns me ligou. Aí eu deitei na cama. Aí a gente desligou. Aí me espreguicei. Aí bati a perna no porquinho. Aí ele se espatifou no chão. 
Diagnótico: Traumatismo craniano.
Resolvi o problema com cola Tenaz (aquela da lista de material escolar).
Traumas a parte, o Pigs se recupera bem e a economia continua.


13 de janeiro de 2009

Do livro que eu queria escrever.

Alguma Terça de Março, 2008.

Era um daqueles bares de chão rústico e cadeiras-e-mesas de plático amarelo, proveniente de alguma marca de cerveja. Era noite. Éramos amigos de escola que um dia (não) resolveram ficar, e depois pararam de ficar sem resolver coisa alguma.
O copo estava meio cheio de cerveja e o cigarro (dele) no fim. Ele abre a mochila enquanto dá a última tragada.
- Vê se cuida direito viu? Tenho ciúmes de livros.
- Meu querido, eu poderia ter sido uma bibliotecária se quisesse. Mas então, é bom?
- Melhor que a série, com certeza.
Ele acende outro cigarro e me observa abrir o livro e parar em uma pagina qualquer atenta a uma frase em especial.
- Então a Lena queria a inocência dela de volta...
- Hm? – Ele volta a atenção da cerveja pra mim.
- Aqui olha, a Lena fala pra Bia que queria a inocência dela de volta.
- Sei. E aí?
- Não sei se queria minha inocência de volta.
- Porque não?
- Não sei. A gente sofre muito quando é inocente. Depois de uns tombinhos a gente cresce e aprende a lidar melhor com a vida.
Ele me olha como se tentasse descobrir se minha afirmação era verdadeira ou não, enquanto acende mais um Marlboro Red.
O bar começa a esvaziar. As aulas já vão começar e a verdade é que não estou nem um pouco a fim de entrar na sala de aula e ouvir todo aquele blablabla da teoria da comunicação. Estou com fome. Estou pensando em todas as coisas que já me deixaram pra baixo desde a época do colégio. A verdade é que depois de tudo isso eu aprendi a me desapegar de certas coisas e a não dar valor a tantas outras. O resultado bom disso é que agora dificilmente alguma coisa me abala de verdade. O resultado ruim disso é que agora, dificilmente alguma coisa me abala de verdade. Entende o conflito que estou passando em cinco minutos enquanto aceito o cigarro que ele está me oferecendo?
- Tá pensando em que?
- To lembrando que já tenho muito falta nessa matéria. – Devolvo o cigarro – Vou subir.
- Beleza.
Pego minha bolsa de zebra e subo as escadas sem a mínima vontade de passar por aquelas catracas. Odeio essas fases que ficam catracalizando minha vida. Não sei se to fazendo o certo ao passar por elas ou se deveria procurar uma alternativa. Acho que estou entrando em outra crise existencial, e olha que ainda estamos em Março. E essa professora é muito bregazinha, não sei como alguém nunca a ensinou que não se usa marrom com preto na mesma combinação.
A aula é sobre produção de textos publicitários mas meus pensamentos estão divididos entre duas perguntas distintas: Em que década a professora comprou os sapatos que está usando? E quando foi que minha vida virou essa bagunça?
A verdade é que eu tenho resposta pra última pergunta. Tudo começou/terminou na última semana de dezembro
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